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CRÔNICA Primeiro de maio de 2012
VETAR OU NÃO VETAR, EIS A QUESTÃO
Manifestações em muitas cidades, campanhas na internet e até em alguns jornais e revistas estão exigindo que a presidenta Dilma vete o Código Florestal aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 25 de abril. Aprovado a toque de caixa, graças à mobilização a pleno vapor da bancada ruralista, modificando o projeto que tinha sido aprovado antes pelo Senado. O novo texto perdoa alguns crimes ambientais e permite ao agronegócio ampliar as áreas de desmatamento. Dilma tem agora menos de um mês para aprovar ou vetar o Código remendado pelos ruralistas.
Quero estar errado. Estou torcendo para que esteja errado. Mas estou praticamente certo de que a presidenta não vai vetar, simplesmente porque há muito tempo – desde o primeiro governo Lula – houve uma opção pelo agronegócio, deixando de lado o MST e outros grupos, entre eles os ecologistas, contrários à dilapidação do País em nome do crescimento capitalista para o consumismo e o desperdício.
Muita gente que visita Mato Grosso ou Mato Grosso do Sul talvez fique mais impressionada com os oceanos de plantações de soja e seu fluxo como rios caudalosos para os navios em direção à China. Ciclo da soja? Na revolução industrial na Inglaterra houve por assim dizer um casamento do capital financeiro com o capital industrial, deixando o setor agrícola de lado. No Brasil do século XXI, o casamento é outro. Dos bancos com o agronegócio, deixando em segundo plano o setor industrial. O Brasil voltando, contraditoriamente, a ser um país agrícola, sucateando suas indústrias a favor da enxurrada de manufaturados chineses.
Foi por isso que o Código Florestal, aprovado pelo Senado e já bastante modificado em relação à sua versão original, acabou sendo remendado na Câmara para satisfazer o agronegócio, transformado no carro chefe da economia brasileira, lembrando uma expressão muito em voga nos tempos da ditadura militar.
No Brasil atual a classe média ampliada está satisfeita, mesmo os pobres se mostram mais resignados graças à melhoria da distribuição da renda na onda do crescimento econômico. Os países industrializados, os países ricos, fizeram o mesmo, por que não podemos fazer também? É esse o argumento dos que favorecem a atual dilapidação dos recursos naturais para não desacelerar a economia. No entanto, os tempos são outros. Não estamos mais no século XVIII, estamos no século XXI, onde a tecnologia já permitiria ao ser humano trabalhar menos e usufruir mais a vida, não fosse essa sanha de produzir para jogar fora, desperdiçar. Se os países do BLIC continuarem sua sanha desenvolvimentista como se estivessem no século XVIII, não tenham dúvidas que poderá acontecer o que já foi previsto: o último ser humano sendo morto pela última árvores que derrubar.
Recoloquemos os pés na terra, na realidade concreta do momento. Dilma não vai vetar o novo Código Florestal porque está comprometida com esse desenvolvimentismo cego. Está aqui minha mão à palmatória se ela vetar.
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