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KADAFI E O BOMBOM DO PODER
Não é do feitio de um site anarquista vir em defesa de alguém que se aferrou ao poder por 42 anos. No entanto, podem anotar, muita gente que hoje bate palmas para os rebeldes líbios vão ter saudades de Muamar Kadafi. E a OTAN – como a CIA na década de 80 do século passado ao treinar os talibãs contra os russos – pode estar ajudando os setores mais atrasados do mundo árabe. Há claras indicações de que entre os rebeldes muitos deles pertencem ou são simpáticos a Al Qaeda e outras organizações defensoras da linha dura do islã. Em 1969, não há como negar, Kadafi assumiu o poder no bojo de uma revolução progressista, eliminando do país uma monarquia podre submissa às companhias de petróleo estadunidenses e britânicas. E, mais importante, recuperando para as mulheres líbias seus direitos fundamentais. Coisa rara no mundo islâmico sob a batuta de aialotás fanáticos.
Não deixa de ser um triste fim. E mais uma prova de que o vício do poder acaba sendo pior do que todos os outros. Kadafi derrubou uma monarquia, tornou-se um dos ídolos da esquerda, ajudou movimentos revolucionários contra ditaduras (inclusive a brasileira) para no fim das contas tornar-se ele mesmo um tirano. Para a grande imprensa, porta-voz da propaganda oficial dos que detêm o poder no mundo, Kadafi cai no mesmo bojo de ditadores como Mubarak e Al-Assad. Seu passado progressista acabou sendo varrido pela tempestade autoritária que assolou seu ego. O bombom do poder é, de fato, a pior droga. Indivíduos que não o compartilham raramente têm outro fim a não serem derrubados.
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